Domingo, 22 de Novembro de 2009
Puzzle

Talvez sejamos...
Feitos de silêncios, em cada pedaço do nosso mundo que se torna mágoa,
Feitos de gritos, em cada momento que faz nascer a revolta.
Feitos de palavras…quando precisamos explicar,
Feitos de explicações quando não basta sentir,
Feitos de sentimentos que não se podem explicar.
Feitos de gestos, quando os sentimentos se precisam traduzir.
Feitos de quedas, errando caminhos, fugindo dos rumos.
Feitos de derrotas, nos nós que a vida traça e que não se sabem desatar.
Feitos de vitórias, ganhando a luta, ganhando a vida.
Feitos de tempestades, vagueando nos céus negros.
Feitos de sóis, nos abraços que se apertam em flor.
Feitos de lágrimas, de rosto salgado e peito ferido.
Feitos de sorrisos, abrindo ao mundo janelas de paz.
Feitos de incompreensões, nas palavras trocadas, ditas para ferir.
Feitos de incertezas, na dúvida e na procura.
Feitos de solidão, em momentos em que se deixa o mundo
Feitos de abandono, quando o mundo desaparece de nós.
Feitos de desertos, mundos perdidos, lugares pálidos,
Feitos de nascentes de emanam desejos.
Feitos de aborrecimento, nos dias iguais,
Feitos de desafios, na coragem de sonhar mais.
Feitos…uns dos outros…
À procura de construir um sonho, uma vida uma obra!
Feitos de fragilidades, e por isso, por vezes, demasiado pequenos.
Feitos de força, e por isso, às vezes suficientemente grandes.
Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
Por dentro

Não há mais longe nem mais fundo…
Onde se escondem os meus segredos? Onde a vida me grita por um sentido?
Onde arranho as minhas mágoas? Onde se ferem os meus sentidos e onde a vida ganha a cor?
Não há mais longe nem mais fundo do que dentro de ti, onde guardas tudo o que é teu, tudo o que te foi dado por muitos, tudo o quanto escreveste nas tuas histórias e as páginas abertas para desenhar.
Dentro de ti o mundo é teu e daqueles com quem queres partilhar. É teu e daqueles a quem o queres dar. É teu e daqueles a quem os quiseres abrir.
Dentro de ti…dentro de mim...
Um mundo que é feito de perguntas e de gritos, de sonhos e revoltas, de medos e gargalhadas…
Um mundo onde percebes que existes e que não és apenas mais um, mas és sim um, único...onde as linas da vida se traçam e constroem tudo aquilo que somos.
Um mundo onde levas tudo o que vives e onde vives tudo o que guardas.
Quando á tua volta tudo parece feio e assustador, quando feres as mãos nos espinhos ou rasgas sorrisos vazios, tropeças na estradas e soltas a palavras rotas, lançadas no nada; quando o sabor a sal das lágrimas nos sulcos do teu rosto te turvam os olhos e o coração, quando o mundo parece virado ao contrario…lá, bem dentro, a chama para queimar e purificar tudo o que é a vida que escolhemos
Tudo o que viveres por fora deve nascer de dentro.
Por dentro percebes que a vida é um trabalho para sempre, que não acaba, que precisas crescer. Percebes que após uma derrota, há em ti vontade de vencer de novo.
Muitos passam pela vida sem sequer descobrirem que dentro de si há vida. Outros passam tentando mudar tudo fora de si sem se preocuparem por mudarem por dentro. Alguns passam sem escutarem a sua verdadeira voz, outros sem pronunciarem as suas verdadeiras palavras…
Todos havemos de passar, e só ficam as marcas da nossa vida e os gestos de quem se sente autor de uma história em vez de apenas emprestar os seus lábios a uma palavra anónima que lhe ensinam a dizer.
Por dentro és original. Por dentro vales muito. Por dentro há um sonho que não morre nas tempestades nem nas noites.
Por dentro descobres o valor do que vives e o sentido do que não sabes viver.
Conhece-te; procura-te, vê quem és afinal....
Dentro de ti, o mundo é o lugar mais profundo!
Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Quem me dera

Quem me dera esta noite escrever-te algo bonito,
algo ternurento…
Como nos tempos em que prendias o meu sonho,
como o vento nas espigas douradas
e o sol envolto num beijo de lua.
Mas esta noite, as estrelas caíram,
abandonaram o meu pedaço de céu,
e já não sei onde estás.
Quem me dera poder-te escrever um coração,
cheio do mundo inteiro,
vivo e vermelho,
como o sangue e lume
que desejo entre os sulcos das mãos.
Mas esta noite tudo é lama,
pó,
nada.
Quem me dera saber sonhar um beijo,
onde te prendesse o coração
a um fio de amor,
e o levasse a voar por entre os jardins do mundo.
Mas esta noite sou prisioneiro,
fechado em algemas,
na minha solidão.
Quem me dera poder cantar-te,
letras, palavras em forma de girassóis,
girando e aquecendo-se ao sol dos teus olhos…
Mas esta noite sou mudo,
não sei gritar nem soltar a voz,
que outrora viva e quente,
te convidava para um sonho.
Quem me dera esta noite poder reconstruir o mundo
aquele que se partiu dentro de mim.
Quem me dera ver os rios ao fundo,
as montanhas para escalar,
o céu entre as nuvens.
Mas esta noite sou escravo na minha cela
que tem apenas o tamanho da tua ausência
e que me faz mendigar um sorriso,
tão necessário como o pão.
Um sorriso,
que levaste, naquele dia,
em que esquecemos onde ficava o céu
e onde já não soubemos brincar
de mãos dadas.